quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Capitulo Oito

"George, preciso falar com você" - Marjorie apertou "enviar" com uma certa relutância, em poucos minutos seu chamado foi atendido.

"Eu preciso te contar uma coisa... conheci uma mina legal aqui na minha cidade... :s "
"Você tá namorando ? Tu me traiu ? "
"Não, não, nada disso... Mas você tá longe, e a gente sabe que eu não posso simplesmente me mudar pra sua cidade assim. Acho que é melhor a gente seguir nossas vidas D: "

Com as mãos tremendo, ela escrevia centenas de coisas e as apagava sem ter certeza do que responder. Deveria tenta-lo fazer mudar de ideia ? Mas sempre ouviu dizer que quem ama deixa a pessoa partir. Era mais difícil do que os autores diziam nos livros. Ela nunca havia o visto pessoalmente, apenas conversavam pela web cam, mas mesmo assim, o amor que ela sentia por ele era plenamente verdadeiro, doía de verdade aquela situação. Marje era muito romântica, talvez, apesar de toda a sua postura e de todos os seus esforços para ser fria, ela era uma "manteiga derretida", se apaixonava muito fácil, e sofria demasiadamente por isso.
Por fim apenas lhe enviou "Você quem sabe".
As lágrimas quentes rolavam pelo rosto, enquanto George pedia um milhão de desculpas. "PRO INFERNO COM ESSAS DESCULPAS! " - ela exclamava mentalmente. Afinal, dentro de algumas semanas ele estaria namorando com outra, ele estaria feliz. Mas e ela ? Deveria fazer o mesmo que ele... Porque era sempre ela quem acabava mal nas histórias ? Sempre ela que não conseguia abandonar a posse do sentir ?
"Que se dane" - disse para si mesma. Desligou o computador e saiu. Mas George permaneceu em sua mente o caminho todo que ela fizera até a casa de Carolyn.

                                                                      * * *

Carolyn resolveu se perdoar pelo acontecido na casa de Victor. Ele era um idiota, ela tinha sido uma garota boba por ter se entregado a ele, mas que ficasse de aprendizagem. Colocou uma  pedra em cima disso tudo. As quatro horas da tarde acordou, depois de ter deitado ainda vestida com as roupas que fora da escola. Tinha alguém batendo na porta de seu quarto e pela maneira impaciente deveria ser a Marje.

- Entra!
E era mesmo ! Marjorie entrou no quarto com os olhos vermelhos, de choro. A maquiagem estava um pouco borrada e as mãos tremulas. O rosto pálido dela ficava ainda mais branco nestas situações.
- Eita porra, o que aconteceu ?
- O George largou de mim ! - Ela se atirou numa cadeira onde havia uma blusa pendurada no encosto. E com as mãos sobre o rosto começou a chorar baixinho. O choro se amplificou quando a amiga a abraçou de pé.

Passada a choradeira, Carolyn quis saber o que realmente tinha acontecido. Ouviu tudo atentamente, sem interromper nenhuma vez, então simplesmente disse:

- A vida continua.

                                                                     * * *

Já deveriam ser umas sete horas da noite quando Marjorie pegou o ônibus de volta para a casa, por insistência da amiga, pois preferia mil vezes voltar andando.
Não estava nem na metade do caminho quando pingos de chuva começaram a aparecer na janela...
"Ótima hora para chover" - pensou. Não, não estava preocupada em pegar chuva, se preocupava com a sensibilidade e a nostalgia que qualquer garoa trás. Pela janela do auto ela via pessoas correndo para lá e para cá, com certeza havia histórias fascinantes naquelas ruas; Dramas quase mexicanos; Com certeza havia muita história para contar sobre aquelas pessoas se escondendo da chuva não anunciada.
É, a chuva chega mesmo quando quer, e vai embora só depois de ter feito bastante estrago. Mas as vezes também a chuva é necessária. De repente uma canção mais melancólica do que aquela chuva que gotejava embaçando todo o vidro, começou a tocar. "Agora já era"; A letra triste e a batida lenta a envolveram... Nada mais a salvaria daquela dor sem fim.
Olhou para o céu, como ultimo recurso. Nuvens pesadas anunciavam uma tempestade terrível. Fechou os olhos, e desejou que o tempo passasse rápido o bastante para ela não ter que viver aquela dor, ou provar do gosto azedo da solidão. Então, dois rastros negros, do que sobrava de sua maquiagem, escorreram pela face.
Era a resposta.
Olhou novamente para o céu.
A chuva passaria, o arco-iris chegaria então. Mas ele... Ah, ele não chegaria jamais.

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